Exposição do 1º ano do Doutoramento em Artes Plásticas
Inauguração, dia 6 de Junho, às 16 horas
Espaço Mira
R. de Miraflor 159, Porto
Até 27 de Junho
de quarta-feira a sábado, das 15h00 às 19h00
ARTISTAS PARTICIPANTES
Luísa Abreu
Inês Amorim
Pedro Bastos
Josemar Blures
Amanda Copstein
Alexandra Costa
Tânia Dinis
Zhenghang Fu
Letícia Maia
Filipe Marques
Bruno Mesquita
Artur Prudente
Marcelo Reis
Curadoria de Miguel Leal
Percepções e Alucinações
“Em lugar de dizer que a alucinação é uma percepção exterior falsa, é preciso dizer que a percepção exterior é uma alucinação verdadeira.”
Hippolyte Taine (De l’intelligence, 1870: Vol. II, Livro I, cap. I, pp. 12–13)
A relação entre o mundo das percepções e o das alucinações nunca foi simples nem inteiramente clara. A percepção costuma ser entendida como o processo pelo qual o cérebro interpreta os sinais que lhe são enviados pelo restante corpo. A alucinação, por sua vez, ocorre quando o cérebro produz essa mesma experiência sensorial, seja na ausência de estímulos externos, seja através da transformação ou distorção desses estímulos. O caráter escorregadio de tal relação nasce precisamente dessa zona de indeterminação: tanto a percepção quanto a alucinação pertencem ao domínio da experiência sensível e ambas podem ser enganadoras, ao ponto de se tornar difícil distingui-las.
Sob essa perspectiva, a alucinação deixa de ser uma monstruosidade para se tornar a própria trama da vida mental. Essa zona de sombra é também, em larga medida, o território onde a prática artística há muito se instalou. Enquanto ações sensíveis, feitas dos corpos e para os corpos, das coisas do mundo para o próprio mundo, os gestos da arte interrogam continuamente a noção de imaginário. Isso acontece não apenas porque tais gestos reconfiguram incessantemente o imaginário, mas também porque transitam, como um fluido, entre aquilo a que chamamos — na falta de melhor termo — percepções e alucinações, falsas ou verdadeiras, reais ou imaginárias.
Percepções e alucinações é a exposição final dos estudantes do 1.º ano do Doutoramento em Artes Plásticas (DAP), tradicionalmente realizada em espaços exteriores à FBAUP. Coordenada por Miguel Leal, a edição deste ano acontece no Espaço Mira e reúne, como seria de esperar, um conjunto de trabalhos diversos, tanto na sua natureza quanto nos meios convocados para a sua materialização. Essa diversidade é também um espelho do caleidoscópio de práticas artísticas que encontram o seu lugar no DAP — um espaço que procura ser território de atravessamentos, fluxos e derivas.

