Federico L. Silvestre

O devir artístico contemporâneo é tão transbordante que todas as categorias herdadas se tornaram demasiado pequenas para o assimilar. Por um lado, essa ideia de arte revela-se uma noção demasiado larga que se liga tanto ao design como à técnica e à infinidade de actividades humanas que engloba, ou seja, não só com o que se trabalha desde a História da Arte, mas também com o que é estudado na História da Técnica e na Antropologia Cultural. Mas, por outro lado, é hoje um conceito demasiado localizado e restritivo, algo que, em teoria, só é feito por alguns humanos em relação com os museus e galerias, e sempre a partir das escolas e academias de arte. Retirar a ideia de criação dos museus e do frágil ecossistema das Belas-Artes não só ajuda a questionar este ponto de partida, como também nos permite delinear uma ciência das operações genéticas mais alargada mas melhor delimitada.

Filipa César

Serão exibidos dois filmes — SUNSTONE (2018) e MANGROVE SCHOOL (2022), seguidos de uma conversa com a artista e com Miguel Leal.
Filipa César é artista e realizadora. Interessa-se pelos aspectos ficcionais do documentário, nas fronteiras porosas entre o cinema e a sua recepção e pelas políticas e poéticas inerentes da imagem em movimento. Desde 2011, investiga o cinema militante dos Movimentos de Libertação Africana na Guiné Bissau como um laboratório de potencial resistência às epistemologias colonias atuais.